“Uma casa muito arrumada é uma casa triste”. Esta frase de Cortella nos faz refletir sobre muitas coisas.

Obviamente, com a sua declaração não estava a fazer um elogio à desordem: é óbvio que a falta de limpeza num ambiente só pode ser prejudicial para aqueles que vivem lá.

O discurso de Cortella deriva de uma tendência social: tentar obsessivamente mostrar sempre tudo em ordem e perfeito.

A limpeza dos nossos lares é importante e reflete o nosso estado interior, mas temos que pensar em até que ponto a organização mostra o que existe nas nossas almas.

Quando estamos realmente a viver, ficamos tão focados nessa missão que acabamos por deixar a limpeza para uma outra hora.

A obsessão extrema pela ordem pode indicar um vazio no coração, uma falta de propósito, de felicidade, de sonhos.

Nem sempre uma casa arrumada é uma casa feliz, muitas vezes é apenas uma casa vazia de sentimentos, de vida.

Cortella sabiamente fala sobre como a agitação dos nossos lares e das pessoas que vivem conosco pode ser uma fonte de alegria e contentamento nas nossas vidas e nos faz refletir sobre o facto de que muitas vezes uma casa arrumada é uma casa infeliz.

A vida não é perfeita, é um remoinho de altos e baixos, de problemas a serem resolvidos, de momentos difíceis durante os quais uma casa (e a família que ela representa) se torna um dos pontos fixos aos quais se apegar.

A impressão deixada por uma pessoa na almofada, o cobertor colocado em desordem no sofá, os traços deixados na cozinha por alguém que preparou um lanche rápido… eles são todos evidências da vida pulsante da casa.

A vida, diz Cortella, é composta de vibrações, mudanças e muita desordem. Tentar limpar e reorganizar obsessivamente a nossa casa é um sintoma de uma sociedade que quer cobrir todos os defeitos, que já não admite a beleza da excepção e da imperfeição.

A vida é bela exatamente porque é imperfeita; a casa aquece o nosso coração precisamente porque mostra a passagem das pessoas que lá vivem, com todas as alegrias e tristezas que experimentam todos os dias… e que constituem a verdadeira matéria de que a vida é feita.

Reflete sobre como a tua casa está na maior parte do tempo e, se necessário,acrescenta mais vida a ela!

Sempre há uma solução para a bagunça, mas nunca podemos recuperar o tempo perdido, a vida perdida.

Créditos: Cortella (adaptado)

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