Tu não tens obrigação de te explicares para o mundo inteiro. Sim, precisaremos explicar-nos em determinadas situações e para certas pessoas, como no emprego ou para os pais e o parceiro, por exemplo, simplesmente porque as consequências de nossas ações atingem outras vidas que não a nossa.

Porém, existem indivíduos que se sentem obrigados a prestar contas de cada passo que dão, para todos que conhecem, como se tivessem que justificar a sua vida publicamente. Ninguém tem obrigação de se explicar o tempo todo para o mundo inteiro.

Não tens obrigação de explicar as tuas escolhas. Escolhas de vida são pessoais e não agradarão a todos. Somos rodeados de pessoas que pensam diferente de nós, com crenças e valores que podem se chocar com o que vivemos. Caso a tua escolha não chegue a ferir a dignidade de ninguém, a necessidade de explicá-la é desnecessária.

Não tens obrigação de explicar as tuas preferências. Podes preferir o doce ao salgado, a montanha à praia, o azul ao marrom, podes até preferir ficar em casa no fim de semana. Trata-se do teu bem estar, de fazer aquilo que vai ao encontro do que és, sentes, pensas. Cabe aos outros apenas entender isso e, caso haja quem não compreenda, nunca será um problema teu.

Não tens obrigação de explicar os teus sonhos. Tudo bem se o teu sonho for te casares com 18 anos ou nunca te casares. Podes sonhar em ter quatro filhos ou em nunca ser mãe. Podes querer comprar uma padaria ou vender sapatos. Sonha com muito, com pouco, apenas sonha e acredita. A satisfação de conseguir alcançar os teus desejos será tua, acontecerá aí dentro de ti, ou seja, que os outros sonhem com o que quiserem.

Não tens obrigação de explicar os teus sentimentos. Quando dói, és tu que sentes a dor. Quando escurece, é dentro de ti que falta luz. Quando desaparece o chão, são os teus pés que ficam ao léu. É em ti que sangra, que falta ar, que dá insónia. Ninguém tem o direito de julgar a dor ou o prazer que sentes, além de tu mesmo. Ninguém tem que julgar nem quem amas.

Ninguém consegue fugir aos olhares alheios, aos julgamentos e reprimendas descabidas que vêm de fora. O que importa é aí dentro, tudo aquilo que preenche a tua essência, os teus sonhos, o teu coração. Quando não magoamos ninguém, nem passamos por cima dos outros, temos mais é que seguir o ritmo da nossa alma, procurando a felicidade da forma que queremos. Não te expliques demais, as pessoas vão entender da forma delas mesmo. Vai, segue a tua trilha e sê feliz.

Créditos: Marcel Camargo (adaptado)