O Relatório europeu aponta risco de “radicalização” da extrema-direita em Portugal.
De acordo com o relatório estamos perante a “possibilidade de radicalização das formas de protesto da extrema-direita portuguesa”.

“A infiltração de extrema-direita nos protestos por melhores condições de vida, como é o caso dos pequenos e médios empresários, deverá continuar. E não se pode, neste caso, com o agravamento da crise social e económica, excluir a possibilidade de radicalização nas formas de protesto da extrema-direita portuguesa”, alerta o relatório “Estado de ódio — o extremismo de direita na Europa”.

Dois jornalistas, Ricardo Cabral Fernandes e Filipe Teles, alertam para o risco de a extrema-direita tentar “tirar vantagem da insatisfação, frustração e ressentimento da crise socioeconómica causada pelas medidas para conter a pandemia covid-19”.

Eles defendem que quando o Chega organizou uma manifestação contra a pedofilia, tal“abriu a porta à mobilização da extrema-direita”, organizada por movimentos “pela verdade” de negacionistas:“Os protestos começaram com algumas dezenas de participantes, mas já conseguem juntar algumas centenas de pessoas”, assinala-se no texto.

Depois de o Chega eleger um deputado nas legislativas de 2019, o relatório assinala que em 2021 houve uma “normalização” política do partido de André Ventura, assinalando-se o acordo com o PSD e outros partidos de direita para formar Governo na região autónoma dos Açores.
Este acordo, segundo o texto, “foi visto como um primeiro passo para um acordo parlamentar ou de Governo a nível nacional”, contribuindo “mais para legitimar o Chega”.

O Chega, de acordo com o relatório, fez elevar as “narrativas-chave” de extrema-direita “a níveis nunca vistos na política” portuguesa desde o fim do Estado Novo, dando como exemplo que 15% dos delegados ao último congresso votaram a favor de uma resolução que propunha que fossem retirados os ovários às mulheres que praticassem aborto.