Há quem se ache planeta orbitando em volta do próprio umbigo. Hoje, há uma profusão de filhos únicos e essa exclusividade acaba tolhendo deles oportunidades de treinar o esperar, o não poder, o herdar.

Logicamente, a gente tenta não dar tudo, não comprar tudo, nem fazer todas as vontades do filho, mas ele sempre vai ter a certeza de que será o primeiro a obter algo dos pais. A questão da divisão, nesse contexto, acaba prejudicada.

A gente ensina e fala, mas nada se compara à aprendizagem que a experiência na própria pele provoca. Não vou afirmar ser isso a causa principal do egoísmo que permeia as novas gerações, mas que é um determinante razoável, isso é.

Eu convivo com adolescentes e percebo que a muitos lhes falta essa prática de se enxergar como parte de um todo, como alguém que não vive sozinho e, portanto, não pode fazer o que quiser da vida.

Há muita dificuldade em se ver o outro, que dirá se colocar no lugar do outro. E isso eu posso comprovar cada vez que passeio pelas redes sociais e leio os comentários pelas páginas de lá. Muitas pessoas discursam ódio, raiva, sem qualquer traço de empatia e de tolerância para discutir civilizadamente com quem pensa do modo contrário, com quem discorda. Tudo é levado para o lado pessoal, de maneira infantil e, na maioria das vezes, agressiva.

Há que se atentar para isso, urgentemente, no sentido de se resgatarem princípios mínimos de convivência, ou tudo vai desandar de vez, porque o que se vê é inadmissível, inaceitável.

Viver em grupo requer consciencializar-se do alcance do que se fala e se faz. Infelizmente, tem gente que só vai entender o que é ferrar com o emocional do outro quando lhe jogarem essa dor de volta. Muitos, nem isso. Por essa razão é que tem tanta gente tentando justificar falta de empatia, enquanto fica orbitando em volta do próprio umbigo. Lamentável.