O proprietário do Pingo Doce afirmou que não tem “nada a ver com os pobres”. imagina se não existisse SNS e a saúde fosse toda dos privados?

E se o supermercado onde vais às compras não quiser ter nada a ver com os pobres? É mesmo isso que diz Soares dos Santos.

Ele é o segundo homem mais rico de Portugal segundo a Forbes. É proprietário do supermercado Pingo Doce e deu uma entrevista ao Observador onde disse muitas coisas e, se calhar, o que não devia.

Relembre-se que ele passou a sede do Pingo Doce para a Holanda para não pagar os impostos de Portugal. Na entrevista, afirmou que o “nosso sistema é estúpido” e que em Portugal “não há crescimento”.

Afirmou ainda que diz que não tem “nada a ver com os pobres” e que estes se “fizeram” para “a gente os transformar em classe média e depois subirem, se possível”.

“Quando fala com médicos inteligentes e que não são politicamente ligados a nada em especial, eles dizem-lhe: dez hospitais no Estado era suficiente. Mas dez hospitais de grande categoria, com médicos permanentes e a ganharem bem”, disse na mesma entrevista. O resto seria para “entregar aos privados”, sublinhando que “não precisávamos deste gigante [Estado] que suga dinheiro a todo o custo”.

Ainda que estas palavras pareçam duras, muitas delas dão conta do estado do nosso país.

Em especial quando Soares dos Santos afirmou que: “como é que é possível que uma ministra que tome a pasta hoje estar amanhã reunida com os sindicatos?

O que é que ela sabe dos antecedentes, de qual foi a posição dos colegas? Isto tem de ser muito bem estudado, porque os sindicatos não são mais os analfabetos do passado”, referindo-se a acontecimentos recentes.