“Mãe, podias ter-me dado para adopção, não sou lixo nem nunca serei…”. Esta foi a carta escrita por Ana Paula Cordeiro à mãe que abandonou o bebé no caixote do lixo, onde ela fala como se estivesse na pele do recém-nascido abandonado.

“Sabes Mãe, não me quiseste… podias ter-me dado para adopção, não sou lixo nem nunca serei… porque o fizeste? Querias que eu morresse de frio, com plástico e metal em cima Mãe!

Porquê? Eu não pedi para nascer… nem ter um início de vida que me quiseste dar… ou melhor acabar…! Vivi… e tu Mãe… vendo as notícias não sentes o mal que me fizeste? Hás de ser sempre a minha mãe biológica, mas nunca o filho que carregaste durante nove meses!

Sabes Mãe… foi um senhor sem abrigo que me tirou de lá… um ser humano fantástico… e pensava que quando eu chorava era um gato, mas mesmo assim foi ver… já estava muito mal nessa altura.

Mãe… tu sabias… porque me deitaste fora como lixo… e até esse vai acondicionado… eu… vou ser um menino feliz, ser alguém na vida e tenho já muitos amigos… o País!

Adeus Mãe… fica com a consciência do que me fizeste… dorme se conseguires… Eu vou ser Feliz!!!! ”