Quero começar esse texto dizendo que eu não me arrependo de ter sido eu, mesmo que não tenhas merecido. Eu não vou me arrepender daquilo que fui, porque no final das contas, eu estaria a arrepender-me por ter dado o meu melhor.

Por ter me entregado, por ter cumprido todas as minhas promessas e palavras, por ter honrado o amor que eu senti por ti, por ter prometido que iria te fazer bem – e dei o melhor de mim para te fazer mais do que bem.

Eu não posso me arrepender por ter sido afeto. por ter aberto o meu peito (que a parte mais intensa e inteira de mim), para ficares à vontade. Eu não posso me arrepender por ter tido coragem de olhar para mim e dizer: não vais mais fugir.

Foi isso que fiz. Eu fiquei. Eu me dei para ti. Eu deixei que tocasses a minha pele, e mais do que isso, deixei que morasses dentro de mim. Eu permiti que pudesses sentir o quanto o amor preenche e encoraja a gente.

Ao menos, para mim, era isso. Era recíproco. Era respeito. Era lealdade. Era sinceridade. Eu bati no meu peito dizendo que eras diferente. Mas na verdade, foi só mais um equívoco.

Eu falava de ti para quem quisesse ouvir. E caramba, como eu falava bem. É por isso que eu não posso me culpar nem me arrepender por ter sido eu mesmo quando só conseguias ser raso. Por ter sido verdadeiro, mesmo quando só conseguias mentir. Por ter sido a pessoa que nunca mereceste, mesmo sendo a pessoa que eu nunca mereci.

Eu fui eu, e disso não há o que me arrepender. Que te arrependas tu, por teres sido tu! Por teres mentido olhando nos meus olhos e prometido respeito, quando sequer, compreendias a definição. Que te arrependas, tu! por teres dito que me querias quando já sabias que eu não te cabia.
que te arrependas tu! Por teres sido mais um equívoco.

Créditos: Iandê Albuquerque