O luto de Tony Carreira, por Francisco Moita Flores:

Sara viverá aconchegada na memória de todos quantos a amam, como lembra Teófilo Braga. Até que todos os destinos se cumpram. Um abraço solidário, Tony Carreira. 

A entrevista que Tony Carreira deu à TVI, cinco meses após a morte da filha Sara, é de uma coragem incalculável.

Embora o conheça mal, tenho a ideia de um homem gentil, doce, dedicado aos filhos, orgulhoso da sua condição de pai.

Foi uma entrevista no pico do luto pela trágica perda. A sua condição de figura pública, com centenas de milhares de fãs que desesperam pelo seu bem estar, que esperam, ansiosas, os seus concertos obrigou-o a revelar a dor num momento em que procura o recolhimento e os afetos.

Morrer é um ato de desespero, de dor profunda, de mágoa infinita para os vivos. Que cresce conforme é mais próxima a relação entre o vivo e o desaparecido e culmina na dor mais aguda quando se perde um filho jovem, ainda quase criança, para a Morte.
É de tal modo doloroso que a vida parece já não fazer sentido. Aliás, Tony Carreira sublinhou várias vezes esta ideia.

Porém, o luto é uma processo de renovação, passo a passo, mais ou menos moroso, uma caminhada lenta, com faseados estados psicológicos, que começa na recusa e revolta para com a evidência subitamente construído e caminhará para a aceitação, conforme o tempo passa, tornando-se numa inapagável saudade.

Apesar do que ele disse, não esqueçamos que está ainda numa fase aguda do luto, está-lhe garantido um futuro com alegrias. A chegada dos netos, os seus sucessos musicais, as carreiras dos outros dois filhos serão motivo para apaziguar a dor e tornar a viver, longe do inferno por onde está a passar.

Por outro lado, a morte para os entes queridos que ficam, é apenas (e é muito) o desaparecimento do corpo, a ausência do abraço, das vozes, dos passos, dos momentos de dor e alegria vividos em conjunto. Porém, Sara viverá sempre no coração dos seus pais e irmãos.
Para ser mais preciso, viverá aconchegada na memória de todos quantos a amam, como lembra Teófilo Braga. Até que todos os destinos se cumpram. Um abraço solidário, Tony Carreira.