O jornalista da RTP 1 respondeu às criticas recebidas após arrasar a TVI. Hélder Reis, decidiu quebrar o silêncio sobre o assunto e disse o seguinte:

“Mantive-me calado durante mais de 48 horas para evitar o agravamento de qualquer cisão num país que, por estes dias, precisa de estar mais unido do que nunca. É, repito, apenas isso que me move. Mas depois de ter lido o que escreveram alguns colegas de profissão – poucos, felizmente, decidi publicar este esclarecimento“.

Há dois dias, fiz o que tenho feito desde o início da pandemia. Sugeri uma música para fechar o ‘Jornal da Tarde’: GNR/Isabel Silvestre – ‘Pronúncia do Norte’. Não esperava com isso explicar os motivos da exponencial diferença de número de mortos e infetados pela COVID-19 entre o norte e o resto do país! Essa explicação já a demos há muito na RTP porque o fenómeno tem semanas.

O vírus não distingue educação, cultura, pontos cardeais, nem pronúncias. Não ataquei ninguém, não fiz qualquer referência a erros de qualquer estação concorrente. Tudo o que disse é factual. Aparentemente, aos olhos de alguns colegas de profissão – poucos, felizmente – o que fiz é mais grave do que dizer-se e escrever-se que 35% da população portuguesa morre ou está infetada porque é ‘menos educada, mais pobre e envelhecida’. Sim, porque o problema não foi apenas aquele título. Aquilo foi dito na reportagem em causa.

Desde o início da Pandemia, apresentei o Jornal da Tarde, pelo menos 18 dias. Fechamos praticamente todos com música sugerida por mim. Italiana, quando o surto devastou Itália. Espanhola, quando a epidemia derrotou Espanha. Mas agora que o Norte de Portugal ultrapassou os dez mil infetados, não podia fazer qualquer referência à região sob pena de melindrar quem dividiu em vez de unir, com um ‘erro grosseiro’ – como os próprios admitiram – que não deveria ter ocorrido nem ali ‘nem em jornal nenhum’?! A sério?! A isto chama-se ‘virar o bico ao prego’”.

Como português e não como jornalista ou nortenho, registo com agrado o pedido de desculpas da TVI. Na RTP, vários diretores demitiram-se ou foram demitidos por muito menos. Já pedi desculpas muitas vezes quando errei e mesmo quando disso não tinha qualquer responsabilidade Registo igualmente algo que não deixa de ser paradoxal. Que alguns profissionais que mais escrutinam a sociedade – poucos, felizmente – sejam tão susceptíveis ao escrutínio dos seus próprios erros. A esses colegas de profissão que se sentiram muito ofendidos, aceitem por favor as minhas desculpas! Agora vou focar-me em fazer o que sempre tentei fazer com rigor: notícias“, conclui.